Poesia & Poesia
Poesia bilingue - italiano e portoghese brasiliano.
Vera Lúcia de Oliveira (Maccherani)
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Note critiche su

Pedaços/Pezzi

di Vera Lúcia de Oliveira (Maccherani)

 Etruria, Cortona, 1989

Testi critici di  Carlos Nejar, Valerio Magrelli, Iacyr Anderson Freitas, lka Brunhilde Laurito, Osvaldo Duarte, Giorgio Barberi Squarotti, ,  Wilma de Katinszky Barreto de Souza, Maria Helena Almeida Esteves

"Pedaços / Pezzi"

Carlos Nejar

"Pedaços/Pezzi é um alto momento poético, de grande força e fôlego. E quanto reanima, ajuda, consola (a poesia é um antídoto contra a escuridão). Sua poesia tem algo de faca, fio cortando as coisas. Reanimando, alveja. E o gume acende o olhar de quem a contempla. As imagens se completam, se juncam. Relampeiam. O seu antilirismo é a forma mais lúcida e real de tocar a poesia. E não deixa de ser lírica na dureza. É às avessas."

(Carlos Nejar, in Istrumento Critico - Revista de Estudos Linguísticos e Literários, Universidade Federal de Rondônia, Vilhena, Brasile, 11/1999, n.2, p.222)

Valerio Magrelli

"Ho letto con piacere Pedaços/Pezzi. Testi, come "Fiori di novembre" o "Leggi comunali" (così inatteso e toccante) mi sembrano davvero notevoli, accanto a brevi illuminazioni, quali "Il grano", ed altre. Grazie per la bella lettura."

(Valerio Magrelli, comunicazione personale, Italia, 1992)

Iacyr Anderson Freitas

"Esta profunda fragmentação é a marca do livro Pedaços/Pezzi, resultante extrema de um processo existencial de dilaceramento: "O dilaceramento olha dentro de si / o dilaceramento se apalpa / e recomeça". Há que se ressaltar também o arrojo metafórico e imagético dos poemas, com passagens marcantes: "Fui a que vai ruminando pregos / nas costas da tarde", "e minha negação / é essa vontade / de virar palavra", "a cidade é esse ouvido grade sendo destruído", "a língua sôfrega da noite / lambe todas as casas que rimam", "seu movimento incha o mundo de sustos", " a morte fabricava ali patas de cavalo", etc.
Ademais, todas as peças do livro denotam uma densa consciência do substrato fônico da língua, com assonâncias e aliterações bem combinadas: "desdobra em debrum", o zelo desse verme / o cerne desse rijo / terror", etc. "O filho" é antológico em todos os sentidos. O fecho do volume, aliás, resume bem o que se encontra expresso nas páginas precedentes, a ótica vertiginosa do despedaçamento e do fragmento: "filtro coisas volumosas // coisas / aflitas / filtro".

(Iacyr Anderson Freitas, comunicazione personale, Brasile, 1998)

Ilka Brunhilde Laurito

"Seu Pedaços/Pezzi é belíssimo. Você está apontando como uma voz muito importante e nova na poesia brasileira. Estaquei diante destes versos, que eu bem gostaria de usar como epígrafe em algum livro meu de poesia: "Tudo que não posso dizer / não nasce". E você disse. Destaco ainda outros poemas, que me tocaram particularmente, ou pela emoção que carregam ou pelo rigor formal e contundente com que você esgrime as palavras. Não é à toa que você dedica um de seus poemas ao João Cabral. Tocou-me de maneira especial a parte inteira em português, com recordações de infância, sobre o tema da memória, que a mim sempre estremece."

(Ilka Brunhilde Laurito, comunicazione personale, Brasile, 1992)

Osvaldo Duarte

"Hoje, quando devolvo o livro Pedaços na estante posso escrever a você. Teu livro estava em minha pasta desde outubro e, carregá-lo - descubro agora - era uma forma de tê-la comigo. "Março no horizonte", "Sementes", "Os bichos", "Os gatos": quantas vezes tenho que ler seu livro e continuar sem palavras? Como você consegue fazer isso com a gente! Fico tomado de completa estesia, arrebatado. Como você é grande e como é linda a sua palavra tão calma e suave, mas tão profunda, tão íntima, tão alma... Tão poesia. Não há o que ponderar. Você já é uma grande poeta."

(Osvaldo Duarte, comunicazione personale, Brasile, 1992)

Giorgio Barberi Squarotti

"Ho letto con molto interesse la sua raccolta poetica. La sua è una poesia di stupefatta evocazione di stazioni, luoghi, memorie, di rapita riflessione intorno alle esperienze della vita, di acuta invenzioni anche di visioni e apparizioni quasi surreali. Ed è spesso di una struggente bellezza."

(Giorgio Barberi Squarotti, comunicazione personale, Italia, 1992)

Lilia A.Pereira da Silva

"Uma poetisa bilingue, a poesia de Vera Lúcia de Oliveira"

A poesia tem evoluído, desde Hesíodo - o grego - com seu poema da origem dos deuses. Defini-la é por demais difícil. Mas tira-se a média dos enfoques de Erza Pound, ao citar a poesia como a "máxima eficiência da expressão"; Paul Claudel, ao mencioná-la como "a música combinada com uma idéia agradável"; Alfred de Vigny, como sendo "ao mesmo tempo uma ciência e uma paixão"; Holderlin, afirmando que "ela antecipa um tempo histérico; Soneca, que "é uma insania"; Novalis, que a representa como "o gênio é o salto por excelência - e os poetas o são"; Platão, que ela é "Uma história e a histéria, uma imagem do tempo". Assim, mesmo não sendo tais autores citados em ordem cronológica, colaboram para um todo a que se defina a poesia.

Entre os brasileiros, cito Alvares de Azevedo, ao dizer que "o gênio do poeta talvez seja uma alucinação"; ainda Valter Faé, citando que "os poetas são pedaços de Cristo"; Mário de Andrade, afirmando que "poesia é coisa humana e o que é humano é solidariedade e comunicação"; Menotti Del Picchia, escreveu que "a poesia transcende todas as artes, todas as filosofias".

E entre os definidores da poesia, nos tempos mais atuais, houve a de E.Evtuchenko:"Para ser poeta, não é suficiente saber escrever poemas. É necessário ter capacidade pára defendê-los". E Jean Cocteau: “Ninguém ignora mais que a poesia é uma terrível solidão, urna maldição de nascença, uma enfermidade da alma. A poesia é uma arma secreta, perigosa, precisa, um tiro rápido e que, ás vezes, não alcança seu alvo senão à distâncias incalculáveis".

E foi nesse clima de poesia-eu e poesia-Verà Lúcia de Oliveira-, de Brasil-eu e de Brasil-ela, de grande amigo Italo Rocco-eu, e de amigo dela, que tive em mãos o livro "PEZZI" o qual me foi um prazer degustar, bilíngue e profundo. Desde o inicio, identifiquei-me com a autora, na sua filosofia de "Procedo", na doída realidade de "Cão Batido" e "Fruto da Transmudação", no misticismo real de "O Filho", na justaposição das palavras, em "Experimento Falho". Igualmente -como é meu hábito-, marquei as páginas intituladas "Sísifo","Canção de Exílio ás Avessas", "Imagens", "Negação", "Cemitério", "Os Bichos","Mel Tempo".

Na mensagem de "Roma", a poetisa fala do seu país de origem, sem falar, e achei-a encantadora. Isso se repete em "Pedras" e "Grafite". É contagiante sua dor em "Do Avesso" e "Os Galos".

Em "Despudorada", nota-se um dos pontos altos de sua criação. A poesia "Noturna", esbanja sua cautela para com a existência e, em "Olhos do Pai" - seu Édipo -, e auge de sua pena. Ficou-me a descrição do olhar de seu pai, acompanhando-me todos estes dias.

(Lilia A.Pereira da Silva, "Uma poetisa bilingue", Cidade de Itapira, Itapira, Brasile, 30/01/1994)

Vittoria Bartolucci

"Vera Lucia de Oliveira e i suoi Pedaços/Pezzi, di poesia e vita"

L' universo nel quale si muovono Vera e la sua poesia è, per quel che riguarda i suoi simili, diviso in due: da una parte coloro che coprono "il corpo di impronte”, che acuiscono "l'attesa della morte", che contaminano "la vocazione alla luce", e dall'altra parte coloro che subiscono la violenza.

E se il suo corpo, la sua anima sono certamente nel la regione occupa da questi ultimi, il viso è rivolto verso gli altri perché Vera non si china sui più deboli per cercare di parlare loro e di consolarli, ma si rivolge agli altri, li sfida, grida loro in faccia le colpe di cui si macchiano, come se fosse un antico paladino che, pronto a partire per la guerra contro l'invasore, non si gira verso quelli per cui combatte.

E i suoi versi sono violenti (accade in un certo senso quanto accade al "suo" Van Gogh, che dipinge "dando pennellate come pugni"), di una violenza che appare sorprendente ricordando il suo aspetto delicato, ma che sembra del tutto naturale aspettarsi da lei, conoscendo invece il suo amore per la verità a tutti i costi e la sua abitudine a rifiutare ogni compromesso.

Dunque, dicevamo, Vera, pur difendendolo, non si china su chi è calpestato,nel tentativo di parlargli e di consolarlo. Poi, però, la incontriamo nell'atto di chinarsi sulla "pietra", di farle delle domande, di diventare lei stessa la "pietra" o "la foglia. / piantata sul declivio del secchio" o "le nuvole" che "ci sorvo­lano" o il "pulsare / di cane / percosso" o il "giglio" che "si affaccia nell'aprile di falle" o il "grano" "carico di chicchi" o "la terra" "corpo di pecora"..

Ma questo suo penetrare nella natura non sarà, in fin dei conti, un tentativo di parlare agli uomini, quelli che ama, quelli con i quali si identifica, trasformandoli in altri esseri verso i quali, non essendoci, per forza di cose, il pericolo di dover dare rispo­ste impossibili, è meno doloroso esprimere il proprio trasporto?

Ma lasciamo ora che sia proprio l'autrice a parlarci di se stessa....

"corpo e braccia / mi tagliano / io sono le mie grate" troviamo nella poesia "La sete" introdotta dalle parole di Carlos Nejar: "Ditemi come / fuggire da ciò che / portiamo dentro di noi?". E ancora, nella poesia "Immagini", l’autrice scrive: "dal tanto guardare la morte i miei occhi partirono / occhi per dove il mondo non cambia / il tempo non genera". E, in "Negazione", "muta mi costruisco / meglio".

C'è forse in queste parole una risposta alle nostre precedenti domande? È la morte, che ha tanto guardato, che Vera teme di vedere negli occhi di chi subisce la violenza? È la morte che si porta dentro, quel "dentro" da cui non sa come fuggire e che la rende "muta"? Ma in "Negazione" lei dice anche: "Muta mi costruisco / meglio ma sono / gente / e la mia negazione / è questa volontà / di diventare parola". Parola che attacca chi "calpesta", parola che penetra nelle cose, nella stagioni, nel "laceramento", nella "pietra", perché, come ci rivela l'autrice in "Misticismo", "ciò che è fragile / spezzo dentro me / ciò che è duro carezzo / stringo al petto".

(Vittoria Bartolucci, "Vera Lucia de Oliveira e i suoi Pedaços/Pezzi di poesia e vita", presentazione di Pedaços/Pezzi, Perugia, Italia, 08/1992)

Wilma de Katinszky Barreto de Souza

A Casa Editora Gráfica L’Etruria acaba de lançar, este ano, a última obra poética de Vera Lúcia de Oliveira Maccherani, uma surpreendente poetisa paulista, de Candido Mota, que se confirma ao público brasileiro e italiano com essa pequena antologia, que continua urna obra jà bastante conhecida e apreciada no Brasil e na Italia. Com os trabalhos de critica e de poesia publicados, entre eles Geografie d'ombra de 1989, A porta no fim do corredor de 1983 e Cose scavate de 1991, este em colaboracào com quatro poetar italianos, esta jovem brasileira, cujo grande coragào esta repleto de musicalidade da lingua portuguesa e italiana se apresenta com o livro, cujo título, segundo ela mesma, revela urna poesia diversa, varia no tempo e no espaco: os poemas mais recentes, do periodo de 1988 e 1990 nasceram e ressoaram em terra da Italia, sua patria de hoje, e os que compòem a terceira parte inspirados e escritos no Brasil, sua terra natal. Enfim, "em comum, todos os textos trazem o desejo de harmonizar contradigòes, de unir fragmentos de vida e de história, fragmentos que parecem ser hoje a conditào da interioridade do ser" (da Nota prévia). A poesia de Vera Lúcia desenreda motivos telúricos e existenciais e de possível (irre)conciliacào entre uns e outros. Em "Lugar de espera", que é de 1986 e permaneceu inédito até agora, versos a parte do Brasil: ficou aqui e, pela afinidade segura com Joào Cabral de Mello Neto, instaura a passagem pela pedra, pela raiz da pedra: "tritura esta cidade/nos dentes/digesto versos que nào sào palavras/sào pedras" (Pedras); o tempo da poetisa quando suas "màos desertam...palavras"; mas é também o mineral que do lodo que "largo e vertical o tempo/escorre/...penetra/em tudo que vive/tudo que respira/e lateja" (Lodo); é afinal o tempo da infància, do seu "mundo/jardineira velha/[que] caminha mansa e sem/pressa" (Infància). É desse paradoxo que o poeta passa ao velho mundo em que se estilhaca em infinito cósmico, e se reconhece um corpo para o qual implora a luz incontaminada, e nas lembranQas da "formiga-sísifo" jà se sabe carregando a folha do passado. Impossível resistir à evasào para a volta (Partidas), à mutacào das vividas "estagòes, lírio...no abril de folhas/fruto de transmudagào/ventre da màe" ao desdobrar da morte na visào dos filhos que vào "derrubar florestas"... E nessa imensa viagem pelas sazòes da vida, no verào e no inverno o poeta retira o corpo e a natureza para, num segundo movimento da sua obra, partir de novo, partir sempre, fugir para um retorno que migra "meus olhos tropicais ernigram" e com a morte, companheira perene e antes pai, deixa que a tarde invada a alma. Se confessa "medieval e escura" pois "novembro é um carro fúnebre". E nào é apenas isto a poesia de Vera Lúcia "voz ajustada ao infinito/avesso do grito"; resgata a vida pela palavra, embora negando a possibilidade, pois sua "mào nào pode perpetuar esse grito em palavra (La muta), nào resiste e confessa que a sua "negacào é essa vontade/de virar palavra" (Negagào). A obra recém-lancada da jovem poetisa permite-nos antever a extensào do seu estro em poemas de perpétua iteração sonora e musical. Muitos são e serão os caminhos que certamente percorrerá, levando-nos também.

(Wilma de Katinszky Barreto de Souza, Quaderni, Nuova serie, n.3, Istituto Italiano di Cultura, San Paolo, Brasile, 10/1992, pp.281-283)

Maria Helena Almeida Esteves

"Pedaços/Pezzi, Presentazione del volume"

Malgrado la giovane età, Vera Lúcia de Oliveira non è più una promessa; la sua è oggi una voce autorevole e autonoma nel panorama della poesia contemporanea, vuoi per la qualità anche etica del suo meditato e sofferto messaggio, vuoi per il modo personalissimo - non sempre facile - della relativa espressione.
È giusto peraltro che la poesia di Vera Lúcia de Oliveira richieda qualche sforzo d'analisi da parte del lettore - in certo qual modo è la rivalsa, allo specchio, del tormento - gioia di creare; un tema, questo, antico e sempre presenta, quasi un leit-motiv di Vera Lúcia.

 

(...) tudo que não posso dizer
não nasce.
(...) e miflha negação
é essa vontade
de virar palavra

(...) tutto quelo che non posso dire
non nasce.
(...) e la mia negazione
è questa volontà
di diventare parola

 

Espressione non sempre facile, ho detto: il linguaggio di Vera Lúcia de Oliveira, portato ad una sintesi quasi parossistica, costantemente sfida le certezze del discorso logico, quando non quelle della grammatica più conformista.
Eppure la comunicazione è pienamente efficace, perché nessuna parola è di troppo, e ognuna porta con sé tanti e tali connotati da provocare un impatto emotivo immediato e di compiuta chiarezza.
Un impatto emotivo che viene ulteriormente accentuato dalla straordinaria coesione stilistica di tutta l'opera, costruita con simboli, ritmi, morfemi, timbri vocalici che si rincorrono e si rispondono da poema a poema, sottolineando l'essenziale unità tematica, raccogliendo ed armonizzando insieme i molteplici piani strutturali, narrativo, simbolico, parametafisico. Vorrei chiarire il concetto mediante un esempio:

 

Pombas da paz
Carregam corpos para o inimigo
(...)
Carregar à guerra
Carretéis
Costurar nos montes
Furos
(com homens dentro)

Colombe della pace
portano corpi al nemico
(…)
Trascinarsi in guerra
rocchetti
Cucire nei monti
fori
(con dentro uomini)

 

Legame tra i due poemi, dopo l'evidente comune allusione alla guerra, è il verbo carregar (in portoghese: portare con fatica, ma anche con determinazione), foneticamente significativo, particolarmente nel secondo poema, per l'asprezza voluta delle doppie vibranti (carregar, guerra, carretéis).
Nel primo, le colombe della pace. portano i corpi ai nemici. La colomba è indubbiamente il più emblematico dei simboli della pace, strana quindi questa loro partecipazione di morte.
Qualcosa non va in questi uccelli, qualcosa che richiama gli "uccelli con difetto" di Roma, unendo in una sinitesi simbolica due poemi dal tema completamente diverso.
Ci sono poi i "carretéis", innocui rocchetti di filo da cucire, strumento di un’attività umana costruttiva, capaci di evocare immagini di donne serene nella tranquilla routine quotidiana.
Li ritioviamo in una funzione riconoscibile, pur velata da amari connotati, in Cão batido, Cane percosso:

 

          (...) poça do latejer
          encreva
          carretéis
Costura hora em outra
Cão em outro (...)

       (…) pozza del palpitare
          lega
          rocchetti
 Cuce un'ora nell’altra
 Un cane nell’altro (...)

 

In Guerra, più chiaramente, questi innocenti oggetti sono diventati agenti di morte, cuciono gli uomini nei buchi dei monti.
L'immagine potrebbe sembrare casuale, se non ci fosse il ricordo dei giochi militari dei ragazzini d'altri tempi, prima e durante la Grande Guerra ’15-18: le bobine del cucito erano ricercatissime, perché, coricate e con un bastoncino tondo appoggiato in perpendicolare, somigliavano ragionevolmente ai cannoni di allora, montati su grandi ruote.
Non so come Vera Lúcia, troppo giovane per aver conosciuto questi surrogati di giocattolo, abbia intuito una suggestione di morte negli innocui rocchetti. Resta il fatto che la sua divinazione poetica, qui come in altri momenti, ha evocato con questa immagine non solo la fluida continuità temporale (un altro dei suoi temi), ma anche l'inquietante ambivalenza dei giochi del bene e del male.
Le coordinate stilistiche, cui le considerazioni precedenti non fanno che un accenno affrettato ed incompleto. erano già pienamente definite nei volumi precedenti di Vera Lúcia, specie in Geografie d'ombra.
Ma credo di poter affermare che in Pedaços la parola è diventata in maniera più manifesta un elemento a sé stante concretamente simbolico-sinestetico, e non più semplicemente il veicolo del pensiero e delle emozioni sottostanti.
Per quanto riguarda temi e contenuti, poi, Pedaços come Geografie testimonia del sempre teso rapporto del poeta con la realtà circostante.
Tuttavia, mentre in Geografie d'ombra si leggeva principalmente il grido d'una sensibilità ferita - mi fa male! -, in Pedaços s'insinua discreta ma insistente una riflessione critica, uno sguardo deciso a scoprire chi o cosa fa male?
Geografie d'ombra si chiudeva con una questione che in tale senso potrebbe servire da epigrafe a questa nuova raccolta:

 

Não é triste o poema
Não é triste o poeta
Triste é o mundo
O mundo é que é triste

Non è triste la poesia
Non è triste il poeta
Triste è il mondo
È il mondo che è triste

 

E il mondo di Pedaços continua ad essere triste, continua a lacerare, a pungere, a ferire: è scuro, tagliente e ostile. La natura è indifferente.

 

O céu estrelado dorme frio

Il cielo stellato dorme freddo

 

Il tempo-mostro scandisce inesorabile e convulso l’influenza degli esseri e delle cose.
Ma questa volta il poeta si guarda intorno, distingue, cerca d'individuare il vero colpevole, ciò che lacera, punge e taglia. A lato, infatti, rimangono ampi spazi di dolcezza e di speranza, il fiore che nascendo raggruppa i pezzi dispersi, il seme che germina dalla tempesta, gatti sereni e ronronnanti, nuvole che passano dolcemente - e fiori, libri, giocattoli.
Il male, tutto sommato, appare come opera degli uomini -quei piccoli Giuda che rendono amaro il Poema di Dio-, fabbricatori di guerre e d'ingiustizie.
Le loro gambe, accanto al pelo morbido degli animali, sono ruins, cattive, fatte per tirare calci. loro è la città, prigione dura e anche simbolo di morte - O cemitério da cidade è uma coisa pleonástica (il cimitero della città è una cosa pleonastica).
Vorrei dilungarmi molto di più, commentare le infinite risonanze di tante originali immagini, le complesse sfumature di tanti altri temi ricorrenti, ad esempio quello dell'esilio, all'origine del bellissimo pema Migração:

 

No céu setembro nasce
meus olhos tropicais emigram

Nel cielo settembre nasce
I miei occhi tropicali  migrano

 

Vorrei cercare d'enucleare, nascosto nei versi, tutto il desiderio subliminale di una realtà diversa.
Credo però che sia invece giusto lasciare ai lettori la gioia della propria personale scoperta, partecipando con l'artista al suo sogno folle e generoso – l’ideale di un mondo in cui i dolori si vedano solo in televisione, dove ogni bambino abbia scarpe e giocattoli, ogni cane abbia il suo buon padrone, e dove il poeta diventi solo il cronista d’un sogno realizzato.

(Maria Helena Almeida Esteves, presentazione di "Pedaços/Pezzi,", Palazzo dei Priori, Perugia, Italia, 18/2/1993)

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(by Claudio Maccherani )