Poesia & Poesia
Poesia bilingue - italiano e portoghese brasiliano.
Vera Lúcia de Oliveira (Maccherani)
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Note critiche su

A chuva nos ruídos

di Vera Lúcia de Oliveira (Maccherani)

 Escrituras, São Paulo, 2004 

Testi critici di  Prisca Agustoni, Álvaro Alves de FariaKátia Cristina Pelegrino Sellin e Ricardo Magalhães Bulhões

"A chuva nos ruidos"

Prisca Agustoni 

"Vera Lúcia de Oliveira - A chuva nos ruidos"

Come scrive Luciana Stegagno Picchio, citata in quest’antologia poetica di Vera Lúcia de Oliveira, A chuva nos ruídos, « i poeti lacerati dalle parole e dalla non appartenenza, in termini concreti, ad un luogo specifico, sono a volte i più grandi ed i più intensi: precisamente perchè san­no innalzarsi al di sopra delle tradizioni e delle convenzioni e attingere il cielo puro e astratto dell’universalità». Il commento della critica italiana veste con esattezza il percorso poetico della poetessa brasi­liana radicata da più di vent’anni in Italia, e che, come lei stessa osserva in coda al libro, scrive attualmente in due lingue, risultato raggiunto non solamente grazie ad una scelta estetica quanto piuttosto grazie ad un’imposizione esistenziale.

L’antologia, che seleziona unicamente poesie scritte in portoghese, rappresenta un’interessante contrappunto alle pubblicazioni realizzate in Italia, dove Vera Lúcia de Oliveira è anche nota per il suo lavoro di traduttrice e di professoressa universitaria. Il libro presenta al pubblico brasiliano l’interessante percorso poetico della poestessa, attraversato, sin dall’inizio, da una ferita muta che continua a far male, perché, come scrive in Pedras, «digerisco versi che non sono parole / sono pietre» (p. 117). La sua voce, « propensa ai tagli» (p. 86) si chiede «quale buco nero inghiottisce / tutto?», e afferma che «marcire in un altro paese / è un dolore che giammai soddisfa» (p. 111), come a indicare che una delle radici del dolore è esattamente la scissione alla quale si riferiva Stegagno Picchio.

Esiste, tuttavia, un dolore anteriore all’esilio, un dolore che è impronta esistenziale, e che si compara a quello di un torturato: «il corpo di un torturato / scava attraverso i secoli / la sua intensità di dolore e morte» (p. 66). Questo dolore esistenziale fiorisce di particolare concretezza nel libro Tempo de doer, dove prende corpo e riempie la casa, le camere, il tempo. Significativa appare la poesia Casa abandonada (p.50), in cui l’io poetico appare come passivo spettatore del passaggio del tempo: «muta / come il dolore incollato alla lingua muta / come in membri paralitici / incollata l’/ oppressione / come la pazzia / la malattia / alle porte che non seminano / buchi // muta / e densa come un mattone che ha ingoiato la storia».

Nell’ultimo libro, inedito in portoghese, Pássaros convulsos, questa caratteristica diventa il tratto distintivo della poesia di Vera Lúcia de Oliveira, una poesia intensa, con le parole a transitare come su un filo spinato, attente per non ferirsi mortalmente. Poesie come Obsessão danno un ottimo esempio della dolorosa processione di parole in agguato: «giro attorno a cose / sbucciando cardi // all’interno il torsolo /si conficca / all’interno la pietra / addensa il suo bastone / il feto / si conficca / l’amore elabora / la sua ossessione» (p. 18). Il dolore, che in raccolte anteriori era una circostanza personale, si universalizza e passa a costituire lo sfondo dell’esistenza. La poesia che dà titolo all’ultima raccolta, Pássaros convulsos (p. 26) è forse uno dei più intensi esempi di questa metafisica del dolore, sottile ed insidiosa, espressa dalle parole scelte con cura da Vera Lúcia de Oliveira: «si scontrano contro i pali / gli uccelli / distillati dalla notte / si distruggono in voli innaturali // battono contro le ossa / sorde / contro i battenti / che non ascoltano il sangue / scorrere nell’oscurità». Un’antologia, la sua, che viene a riempire il vuoto lasciato dietro sé dalla sua forma di esilio, un vuoto del quale la poetessa si serve, come molti altri poeti «in esilio dentro la lingua», per trasformare il dolore in parola.

(Prisca Agustoni, Semicerchio, numero XXXII, 2005, p.94)

Álvaro Alves de Faria 

"Fora da Plêiade - Nove poetas brasileiros esquecidos pela mídia"

A turma está unida. Basta uma palavra contrária e pode haver até passeata com cartazes e palavras de ordem. A turma está sempre alerta. Mas deve-se admitir: a turma tem força junto à chamada mídia cultural. Viva a leviandade. Este é o país da mentira, a começar pelo mandatário-mor. O cinismo também tem limite. Essa melancolia atinge tudo, incluindo aí a literatura — a poesia, o conto, o romance, o ensaio literário, a crítica. Este é o país que enaltece a mediocridade. O país do conchavo. Está cada vez mais provado que no país da mentira, no que diz respeito à poesia, o que vale mesmo é o marketing. Na prosa também. Mas há momentos mais leves na agonia de todos os dias, como, por exemplo, ver sobre a mesa alguns livros de poesia que merecem atenção. Livros de poetas, não de marqueteiros.

Ricardo Thomé (...), Cida Sepúlveda (...), Latif Abrão Júnior (...), Mirian de Carvalho (...), Márcio Catunda (...), Sílvia Thomé (...), Lina Tâmega Peixoto (...), Já Helena Armond (...).

Por último, Vera Lúcia de Oliveira, que nasceu em Cândido Mota, interior de São Paulo, mas vive na Itália desde 1983. Atua como professora de Literaturas Portuguesa e Brasileira na Università degli Studi di Lecce. Publica trabalhos sobre literatura — especialmente a brasileira — em revistas de Portugal, da Espanha e da Itália. É autora de vários livros, quase todos publicados por editoras italianas. Sua obra A chuva nos ruídos – antologia poética (Escrituras) foi considerado o melhor livro de poesia de 2005 pela Academia Brasileira de Letras, prêmio que dividiu com Neide Archanjo, autora de Todas as horas e antes (A Giraffa). Quem deu essa notícia? Ninguém. Mas fosse esse prêmio conquistado por algumas das vaidades que andam por aí protegidas pela mídia desonesta, a notícia sairia até na Lua. Disso não se tem dúvida. Mas longe dessa discussão, a verdade é que A chuva nos ruídos é de fato um livro de poesia, de uma autora que prima pela seriedade em relação ao seu trabalho, o que se pode ver em toda a sua poesia, desde o primeiro livro A porta range no fim do corredor, de 1983. Sempre escreveu uma poesia marcante. Um poema que respeita o poema em sua forma e respeita também a poesia ainda possível. Como exemplo, As palavras todas: “deste olhar maciço/ nascem poemas/ deste jeito torto/ olhar de grão maduro/ os cheiros da noite encharcando a terra/ de sombras/ as mãos buscando côncavos/ adubando pontos/ de exclamação/ as palavras todas que vou dizer/ antes de morrer” . Para falar de poesia,Vera Lúcia de Oliveira lembra o poeta italiano Franco Scataglini, para quem a poesia é ritmo da respiração. Se o coração pulsa de um determinado modo e o sangue circula com a mesma cadência, então essa é também a melodia do verso: “Respiro como vivo, falo como respiro. E a poesia segue tal cadência e brota deste movimento visceral alternado. A poesia é uma música que tenho dentro, é uma escultura que busco modelar com esse ritmo, recortando formas com as tesouras que Deus me deu”, diz ela.

(Álvaro Alves de Faria, rascunho, Críticas e resenhas, Curitiba, 11 agosto 2006,
http://rascunho.ondarpc.com.br/index.php?ras=secao.php&modelo=2&secao=25&lista=0&subsecao=0&ordem=309&semlimite=todos
non più online, copia locale)

Kátia Cristina Pelegrino Sellin e Ricardo Magalhães Bulhões

«A estrutura e o tema na poesia contemporânea, antologia poetica "A chuva nos ruidos", de Vera Lúcia de Oliveira»

(Kátia Cristina Pelegrino Sellin e Ricardo Magalhães Bulhões, Revell, revista de Estudos Literários da UEMS, ISSN 2179-4456, v.3, n.14 [2016]

http://periodicosonline.uems.br/index.php/REV/article/view/1189/pdf)

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(by Claudio Maccherani )